NOSSA REPORTAGEM FOI A BRUMADINHO: A “CIDADE FELIZ” VIROU A “CIDADE DO LUTO”

Este Bombeiro de BH chegava junto com os colegas
Bombeiros procuram corpos na imensidão de área devastada
A lama ainda em estado pastoso na zona rural
Taxista Vanderly perdeu um cunhado e a irmã o sogro, fora os vizinhos
O Rio Paraopeba dentro da cidade nesta sexta-feira (sem vida)
Helicópteros cortam o dia todo os céus de Brumadinho
Quando há informação de que achou corpo, começa a movimentação

Representantes da Proteção Animal de MG, SP e SC
Nossa reportagem esteve na cidade e região nesta sexta-feira
Imprensa nacional e internacional está em Brumadinho

TRAGÉDIA COMPLETOU UMA SEMANA COM 115 MORTOS E 238 DESAPARECIDOS. O monumento com as letras que formam a palavra BRUMADINHO, logo na entrada da cidade, foi coberto com materiais preto e junto bandeiras, flores e frases despedindo de vítimas da “Tragédia da Mina do Feijão”, da empresa Vale.

Nossa reportagem chegou a Brumadinho no meio da manhã desta sexta-feira. Logo na entrada chama a atenção o Centro de Imprensa, montado sobre um canteiro da via, ali ficam os profissionais que passam o dia, noite e madrugada produzindo materiais para suas TVs, Rádios, Sites, Agências nacionais e internacionais, uma grande estrutura. Do outro lado da rua, fica uma faculdade, que está sendo usada pelo Gabinete de Crise, é de onde saem todas as decisões da força-tarefa e também as autoridades que descem para a coletiva diária para fazer um balanço do dia.

Na cidade contratamos o taxista, o Vanderly Timóteo da Silva, que nos levou até a área atingida na zona rural, entorno da cidade e outros locais permitidos neste dia, para produção de material para o Site Silvan Alves. O taxista perdeu na tragédia um cunhado (Edirlei “Bil”, eletricista da Vale, sepultado neste quinta-feira e a irmã dele perdeu o sogro – cremado em Contagem neste sábado) eles deveriam estar no restaurante ou na oficina.
Só no pequeno bairro onde mora foram 7 vítimas fatais, sendo 5 localizadas. Veja o relato do taxista sobre a tragédia. Ele também transportou um repórter de uma empresa da Rússia:

“Na hora do rompimento eu estava aqui no Ponto de Táxi, é um dos primeiros lugares a saber das notícias aqui. Sabendo que seria coisa muito grave, a gente sabia do perigo que corria, a dimensão, peguei o carro e sai buzinando e gritando “barragem estourou” e o povo começou a sair fora, e em seguida uma viatura da polícia veio de sirene ligada e buzinando também, pois Rio Paraopeba corta a cidade nesta região do Centro.

Antes da lama chegar à cidade, ela parou ao encontrar com o Rio Paraopeba, que começou a ser estancado. A lama não vinha mais, mas havia uma barragem de água ainda que poderia estourar causando estragos e o nosso rio também poderia encher. Quanto ao refeitório e administração abaixo da barragem, ninguém falava sobre isso. Só mesmo quem trabalhava lá sabia e tinha a noção do risco.

O que as autoridades estão fazendo agora deveriam ter feito logo depois de Mariana ou mesmo antes, espero que tomem providência. Já vejo falando da Barragem de Congonhas, se ela estourar…. Brumadinho superou Mariana e Congonhas se ocorrer, Brumadinho pode ser fichinha perto dela. Seria uma muito maior pelo que ouço falar, é fato, não chega aos pés dessa daqui. Por isso tem ser fiscalizado e não deixar acontecer.

Brumadinho era feliz e próspera. A mineração é que movia essa cidade, e hoje, vamos falar o que? O Museu Inhotim também com grande importância para o mundo todo, hoje está fechado. Vamos falar o que?. Qualquer rua que você pegar tem alguém morto na tragédia, cidade está em choque, uma tragédia com muitas vidas ceifadas. O futuro vai depender das autoridades; prefeito, governador, Governo Federal, que olhem pra cá e façam algo pela cidade, recursos para investimentos parecem que tem. A nossa cidade foi destruída e vai precisar de muito apoio e bom investimento para voltar ao que era. Quanto ao Rio Paraopeba, como você viu, trocou sua água pela lama, não tem peixe mais” disse o taxista.

Estivemos na região chamada também de zona quente na ocasião (entre Tejuco e o Parque das Cachoeiras), onde há toneladas de lama e com grande profundidade. Ali os Bombeiros (heróis de verdade) são pequenos diante de uma catástrofe tão grande, mas não desistem, continuam procurando. Vimos que procuram com muita tristeza. Além deles há inúmeros voluntários (Bombeiros Voluntário como Adelson e Edmilson Silva de Três Marias, que deixaram as famílias e vieram ajudar; Bombeiros Municipal, Bombeiros Civil, pessoas da Proteção de Animas que vieram de BH, SP, SC para resgatar animais e familiares de vítimas).

O produtor rural de uma grande horta estava trabalhando quando viu um mar de lama chegando. Ele e funcionários recuaram e parte de seus bens foram levados (carro, geladeira cheia de traíra estrutura física), e o mais impressionante, no meio da lama umas cinco pessoas passaram gritando, e ele fez de tudo para socorrer jogando corda, mas as vítimas foram tragadas pela força do barro. Ali ficaram umas montanhas de rejeito, tipo uma bola que desceram passando por cima de tudo e chegaram inteiras a uns 7 Km de onde estourou a barragem.

No Parque das Cachoeiras, lugar agradável e de casas de descanso de finais de semana foi atingido pela lama e algumas casas foram destruídas. Na entrada da rua militares fazem a vigilância, acesso só os donos.
No exato momento em que estávamos lá, chegou a notícia de que teriam encontrado um corpo e helicópteros se aproximaram. Depois, um morador permitiu que entrássemos para ver a lama no fundos das casas, a qual ainda escorre numa forma pastosa.

No Centro do Conhecimento da Vale, na cidade, um improvisado campo virou base para aeronaves, e nela grandes helicópteros da Marinha. Nesta sexta, a movimentação foi maior no Córrego do Feijão onde ocorreu o rompimento foi feita uma homenagem aos mortos jogando pétalas de flores, após uma semana do fato (acesso ainda bem limitado por lá). As redes de TV usam muito helicópteros que levam seus repórteres até a região.

O Rio Paraopeba está com muita lama descendo, sua água agora é vermelho escuro, um rio sem vida. Registramos também o trem da Vale cortando a cidade com inúmeros vagões, indo em direção à área de mineração.

SAIBA MAIS E VEJA A GALERIA DE FOTOS, REGISTROS DE NOSSA REPORTAGEM… clique em “Leia Mais”.

Ver Mais Notícias

3 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *