Voltamos a Brumadinho no 208º Dia de Buscas da mais longa Operação de Resgate do Brasil

CORPO DE BOMBEIROS DE MG TRABALHAVA NESTA TERÇA-FEIRA (20) COM 104 MILITARES EM CAMPO NA BUSCA DE 22 DESAPARECIDOS. 248 CORPOS JÁ FORAM LOCALIZADOS. O LEMA É “DESISTIR NÃO É UMA OPÇÃO” O PROPÓSITO É ENCONTRAR TODOS.

Tenente Vagner Gavioli comandando na Base Bravo
A fotos de satélite mostra o rastro de destruição da lama
No Mirante TCF – Terminal de Carga Ferroviário que foi destruído
Aos fundos a Barragem B1 que rompeu no dia 25 de janeiro
A barragem rompida se transformou nesta grande depressão
Terminal de Cargas: aqui motorista e colegas em uma caminhonete escaparam
O Pontilhão da Estrada de Ferro foi dividido ao meio
Cenário triste. Toda a Pousada Nova Estância foi levada
Na entrada de Brumadinho continua os protestos nos letreiros
Nos protestos bandeiras, cartas, fotos, faixas…..

Nossa reportagem esteve em Brumadinho nesta terça-feira, 20 de agosto, quando foi recebida na Base Bravo, na Mina do Córrego do Feijão, da Vale, pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, representado pelo Tenente Vagner Gavioli da Silva que estava comandando na Base Bravo, sob o comando do Cel. Azevedo. A base está ao lado da área onde ocorreu o rompimento da Barragem B1 da Vale no dia 25 de janeiro deste ano provocando a maior tragédia do setor de mineração do Brasil, matando pelo menos 300 pessoas e ainda há 22 desaparecidos de acordo com a relação da Defesa Civil.

Crianças das escolas mandam cartinhas e muitos desenhos

O tsunami de lama de ferro atingiu uma extensão de 10 km lineares e 32 km de circunferência. Ao todo, são 24 frentes de trabalho, distribuídas em 4 milhões de m2. 750.000 m3 de lama já foram removidos e vistoriados. A força da lama destruiu tudo pela frente deixando um cenário de campo aberto de terra.

De acordo com o Tenente Gavioli, no dia de nossa visita nesta terça (20 de agosto), no 208º dia de buscas, havia 104 bombeiros militares em campo e um total de 127, contando também com três bombeiros militares da Paraíba com seus cães.

A movimentação de rejeitos continua com utilização de 150 máquinas por dia na remoção (escavadeira convencional, braço longo, anfíbio, pá carregadeira, retroescavadeira, caminhões, desencarceradores, perfuratriz e peneira vibratória), tudo sob a observação dos bombeiros e tudo que é encontrado é importante para que ajude na identificação dos desaparecidos. A Operação Brumadinho se tornou a mais longa operação de busca de pessoas da história do Brasil e uma das mais longas do mundo.

A Bandeira do Brasil encontrada em meio à lama na terceira semana de buscas (fevereiro) e quem estava à frente desta equipe era o Capitão Patrick, que mora em Muriaé, comandante da Cia. de Bombeiros de Ubá. Na foto acima o operador de máquina e o Capitão BM Patrick no dia do encontro da Bandeira. O registro  abaixo foi feito na ocasião.

O Tenente Gavioli citou que a preocupação agora é com a chegada do período chuvoso e a dificuldade maior enfrentada no momento é o grande volume de rejeito, não tem como fazer rápido sem perder a qualidade. “É um trabalho minucioso e devagar com as escavadeiras para que possa ser observado o menor detalhe possível, pois pode nos auxiliar na identificação de desaparecidos. A lama atingiu esta extensão entre 10 e 10,3 Km e tem a profundidade entre 12 e 15 metros” disse reforçando o lema dos Bombeiros de Minas Gerais: “Primeiro a chegar e o último a sair” e agora também com o lema “Desistir não é a opção” e o propósito é encontrar as 22 pessoas desaparecidas. O último corpo encontrado foi no dia 11/7 e foi identificado e o anterior no dia 5/7, ambos no Remanso 2.

Juntamente com o Tenente Gavioli que tem 15 anos no CBMMG e comanda o Pelotão de Piumhi, percorremos os principais pontos de destruição do mar de lama, passando pelo refeitório, pela Pousada Nova Estância, pelo Pontilhão de linha férrea cortado ao meio, e pelo Mirante do TCF (Terminal de Carga Ferroviário). Este ponto é impressionante, a gente fica cara a cara com a barragem rompida e a imensidão de área destruída (um imenso campo de terra escura). A barragem B6, também da Vale, que fica ao lado da que rompeu, tem monitoramento 24h com equipamentos de alta tecnologia dando segurança a quem está trabalhando nas buscas e toda a estrutura montada.

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Conversamos também com a Sargento Mara, enfermeira do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais que está a frente do serviço de Saúde desde 26 de janeiro e agora trabalha na Base Bravo onde há um Hospital de Campanha que funciona com profissionais de saúde diversos e o setor tem o apoio do Ministério da Saúde, Prefeitura de Brumadinho, e profissionais, como médicos, contratados pela Vale, uma vez que a demanda é grande devido ao número de militares em campo, bem como de civis que fazem parte da Operação Brumadinho.

“Os militares ficam aqui sete dias diretos, é uma forma de evitar uma exposição prolongada junto ao rejeito. Quando chega toma um medicamento, faz exames de sangue e urina tudo aqui na Base Bravo, e posteriormente cada Unidade dos Bombeiros no estado recebe tais exames e o militar é acompanhado clinicamente e psicologicamente por um período de três anos”.

Dentro da Base Bravo e a Zona Quente da tragédia o acesso é totalmente acompanhado, monitorado e restrito. Nossa reportagem foi autorizada pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais a quem agradecemos, através do Tenente Gavioli e do Setor de Comunicação pela atenção e presteza, bem como agradecemos pelo mesmo motivo, ao Capitão Patrick Tavares Gomes, comandante da 2ª Cia. de Bombeiros de Ubá, o qual já esteve à frente da Base Bravo por duas vezes. Bombeiros Militares do 2º Pelotão de Bombeiros de Muriaé também participaram da operação na fase inicial e mais recentemente também. Nesta visita havia um dos bombeiros de Muriaé, o SD Carvalho.

A DIMENSÃO DA OPERAÇÃO BRUMADINHO: Até agora 2.300 bombeiros militares mineiros e de outros 16 estados, além de Israel, passaram por lá; Atualmente média de 140 militares/dia; No aparato tecnológico além dos 6 drones (ou vespas), aplicativos diversos para mapeamentos, câmeras termostáticas, magnetômetros, equipamentos de geolocalização, balão de observação, entre outros. Binômios: 64 (cães e tutores) de MG e mais 12 estados. 31 Aeronaves já atuaram na Operação perfazendo mais de 1.600 horas de voo; Mais de 3.344 horas de ações de busca e salvamento até agora.

Vítimas: até (22/08) 248 vítimas encontradas e identificadas. 22 estão desaparecidas. 730 recuperações de corpos e segmentos corpóreos, que foram repassados à Polícia Civil, responsável pelo trabalho de identificação das vítimas e que tem um Unidade dentro da Base Bravo. Devido ao estado de decomposição e situação na qual foram encontrados, vários corpos são identificados por técnica de DNA, o que demanda mais tempo.

Estados que contribuíram com a missão: MG, AL, BA, DF, ES, GO, MA, PR, RJ, SP, SC, SE, RS, PB, MT, CE e Exército de Israel.

Veja agora nossos registros no local da tragédia

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